Segunda-feira, Setembro 07, 2009

O banquete do amor - Filme

Tem uma história sobre os deuses gregos. Eles estavam entediados, então inventaram seres humanos. Mas continuavam entediados, então inventaram o amor. Já não estavam mais entediados, e decidiram tentar o amor para si mesmo. E, finalmente, inventaram o riso, para que pudessem suportar o amor.


- Há quanto tempo estão casados?

- Quase seis anos e um pouco de mudança.


- Perdi alguma coisa?

- Uma brisa refrescante, um jogo de softball, e duas mulheres se apaixonando.

- Uma pela outra?

- E uma delas é casada.

- O engraçado é que ninguém notou. Nem o marido, que estava do lado dela.

- Sinto muito por ter perdido isso.

- Imagino que ele sentirá também.


Ás vezes você não sabe que cruzou uma linha até já estar no outro lado. Mas é claro, estando lá, é tarde demais.


- Sabe como toda relação tem tipo um dia perfeito?

- Sei. O que quer dizer?

- Sabe, é esse dia e você olha pra trás anos depois e ele se sobressai dos outros, sabe? Não porque você ganhou na loteria ou coisa do tipo, apenas um dia qualquer, mas de alguma forma, sabe, perfeito. Hoje foi assim.


- Lembra quando eles chegaram aqui? Falei que nunca tinha visto casal mais feliz. O que eu te disse? É a casa, é amaldiçoada.

- Casas não são amaldiçoadas. Pessoas é que são.


Ela se apaixonou, é só isso. Num minuto ela estava casada, no outro tinha uma pessoa na frente dela que ela não podia ignorar, não importa o quanto tentasse.


Um homem que vive sozinho é um rei das espécies. Infelizmente, seu reino é pequeno, com poucos confortos.


- O que viu naquele cara?

- Bem, não é burro, ou irrefletido. Não antipático, ou violento. Ou chato, ou irritante. Não se veste mal, não está desempregado, e também não é feio. Uma falta de "contras", é uma coisa rara e bonita. E eu falei? Não é casado, também.


- O que está fazendo aqui?

- Bem, cheguei há uns 28 anos atrás e nunca fui embora.


Ei, todos temos sonhos. Digo, quero novos peitos e um carro híbrido.


Se realmente o ama saiba que as pessoas podem manter as outras vivas

.

- Você o ama?

- Eu o acho completamente amável.

- É, não foi o que perguntei.

- Você o ama?

- Não sei.


Parece que sou apenas essa transição para mulheres, enquanto procuram algo melhor.


- Harry, Juro por Deus, vou perder a cabeça.

- Merda. Bradley, ouça. Só precisa ficar alerta.

- O que isso significa?

- Bem, tudo que precisamos saber, está bem na frente de nossos olhos. Temos nossas ilusões sobre as pessoas, nossas esperanças, e não podem nos cegar. Mas o fim está sempre lá no começo.


- Só estava procurando por um pouco de felicidade, então fechei meus olhos e pulei.

- Tudo bem, na próxima vez...

- Não pule, eu sei.

- Não. Pule! Pule, mas com os olhos abertos.


Foram apenas para me manter me perguntando os significados para o fim?


- Porque fez isso com você?

- Queria sentir no meu corpo tanta dor quanto sinto no meu coração.

- O que causou essa dor no seu coração?

- Meus olhos. Os mantive fechados por tanto tempo. Quando finalmente os abri, não estavam prontos para o que eles viram. Acha que o amor é um truque da natureza para as pessoas terem mais bebês? Ou você pensa que tudo, significa um, apenas um sonho louco?

- A segunda opção. Em qual você acredita?

- Infelizmente, na segunda.


É uma coisa estranha, o que a felicidade faz com as pessoas.


Não se pode impedir alguém de amar.


- Deus está morto ou ele nos menospreza.

- Deus não nos odeia, Harry. Se ele odiasse, não teria feito nossos corações tão valentes.


O inesperado sempre acontece conosco.


E assim, começaremos novamente.

Quarta-feira, Setembro 02, 2009

Pra não dizer que não falei do fim - Patrícia Rabelo

Existem manés por ai camuflados de homens (e muitos disfarces foram espalhados pelo visto). Eles precisam de um sujigão para poderem ver que até as mais descompromissadas (feito eu) precisam de boas sementes plantadas para poderem retribuir com bons frutos. Tinha-se vantagens em mãos. O sabor do segredo era gostoso (mineira nascida e criada).
Nada de correntes ou algemas. Vocês eram presos pela liberdade e pelos risos que os unia. Seguia tudo em um ritmo apreciativo para ambos. Porém, aquela moça sem compromisso, que sai com você não pelo seu sexo (que não é dos melhores), mas que sai com você pela companhia legal, precisou de um abraço atencioso e um carinho de consolo. E você nem se tocou. Outro tocou. Isso a tocou. Ta aí o perigo!
Acompanhada por um avalanche de vacilos seus, agora ela não precisa de mantra para te esquecer. Não precisa ocupar seus pensamentos com obrigações e trabalhos para não ter tempo de pensar em você. Não precisa te excluir, porque te ver ou não, não faz a menor diferença. Não precisa elaborar desculpas para ouvir sua voz. E agora já é tarde para você se tocar. Não adianta mais. Se poupe do papel ridiculo de fingir que ainda são os mesmos e que nada aconteceu. Você fez tudo soar com tom de pouco caso. Você não se importou com ela. Isso revirou a história. Você conseguiu fazer brotar nela a plenitude da indiferença. Você plantou. Você colheu.
Sem dó nem piedade, você virou bruscamente um passado. Não que ela tinha sonhos com você. Não tinha planos. Mas tinha um carinho. E esse se perdeu quando a roda da vida atingiu o ontem. Você já não é mais tão legal. Você já não ocupa o espaço que tinha. Você já não faz mais sentido.

Segunda-feira, Agosto 17, 2009

A arte de perder - Elizabeth Bishop

A arte de perder não é difícil de dominar
Tantas coisas parecem cheias da intenção de serem perdidas
Que sua perda não é um desastre.

Perca alguma coisa todos os dias
Aceite o contra-tempo de perder as chaves da porta
A hora gasta inútilmente.
A arte de perder não é difícil de dominar.

Depois, pratique perder mais, perder mais rápido
Lugares, nomes, situações....tantas coisas

Eu perdi duas cidades, dois rios, um continente
Eu os perdi, mas não foi um desastre.
Até mesmo perder você, a voz brincalhona
Aquele gesto que eu adoro
Eu não terei mentido.

É evidente que arte de perder não é difícil de dominar
Embora pareça,
Embora possa parecer (escreva!) um desastre.

Sexta-feira, Agosto 14, 2009

Fragmentos

Se o corpo se cobre de desvios,
e a atenção se dispersa pela multidão,
onde estará você?
É prisão de letras no coração,
pesado de nomes por bater.
Será o troco então?

Se a indecisão te acompanha pela mão,
e te esconde pelas sombras,
onde estará você?
É medo de não ter-se só,
traçando rotas pra fugir.
Será o descuido então?

Se a vontade de não perder te impede de deixar,
mas te faz acenar adeuses pra quem quer ficar.
Aonde estará você?
E na voz gelada ao telefone ligar para
Aquecer-te as partes frias de estar só.
Será egoísmo então?

E se no peito pesa o que os lábios anseiam,
com rumores estreitos, calados nos dizeres.
Onde estará você?
Se com a boca te afastas, e julgas o próprio gostar.
Te faz morder os lábios ao invés de beijar.
Será vontade então?

Se a lembrança que não se apaga,
de um rosto que me consome.
AONDE ESTARÁ VOCÊ?
E na pele da cor do sol querer encontrar
um lugar quente pra ficar.
Será saudade então?


E se eu te beijasse?

Segunda-feira, Agosto 03, 2009

Imagine eu e você (Filme)

"Posso dizer uma coisa aqui? Logo que eu conheci sua mãe, durante a Guerra de Tróia, eu me apaixonei por ela na mesma hora. E apesar dela me amar também, e ter casado comigo, de alguma forma eu sempre soube que eu nunca seria o bastante pra ela. Nós fomos levando através dos anos, mas eu nunca duvidei de que se ela realmente encontrasse alguém por quem se apaixonasse, que a fizesse perceber o que é o amor de verdade, que me deixaria num piscar de olhos. E como eu poderia discutir?
O que quer que você escolha fazer de agora em diante, nós vamos apoiar você, sempre.
Mas por favor, minha querida: Siga seu coração."


How could I argue?

Quarta-feira, Julho 29, 2009

Caras e Bocas

















Tantas caras a gente tem.

De tantos jeitos podemos ser.
Qual é o rosto que eu preciso usar
pra dizer que eu te amo?

Quinta-feira, Julho 23, 2009

Anotações e adeuses

E é assim que a vida segue: Sem mensagens, sem ligações e sem o beijo dela.
Cumprimos parte do acordo implícito da vida - sumir um da vida do outro sem que isso cause uma dor dolorida e dolorosa. Ir embora como quem sai por cima, com o peito estufado de um orgulho falso e cheio de raiva por não terem inventado a máquina que volta no tempo. Uma das cláusulas era o encontro casual, que nem é tão casual assim porque, você, depois de estar tão acostumado a acompanhar, já sabe ir sozinho pros mesmos lugares. Costume que é evitado por um tempo, se você começar a ler o artigo “esquecer”. E esse artigo é tão extenso por causa das tantas exceções que tudo se resume ao tempo. E o que eu sinto por ela são anotações que prego pela casa, pelo trabalho, pela faculdade, por ruas, no meu carro, nas pessoas, nos bares pra onde saio, em meus amigos, e em mim. Mas não cheguei a ler as instruções de como despregá-las. Acho que nem existe esse capítulo. Acaba ficando tudo pregado e misturado com outros lembretes que foram e serão pregados. E é quando você está mexendo nos papéis antigos que aparecem aqueles escritos de três anos atrás em letras grandes de eu te amo. E tudo se mistura de vez. Tudo se complica sem ser complicado de fato. E é aí que você começa a ver o que é saudade. Essa parte dói. Lateja. É uma dor pior que a de bursite ou qualquer outra “ite” que você tenha. E te leva a definição de lágrima e tristeza como coisas latentes uma na outra.
E a única coisa que eu sempre quis foi amá-la, num tempo presente e sempre disposto.

Segunda-feira, Julho 20, 2009

Entenda que

- Quando você apareceu eu já tinha olhado pro lado. E não me importava se você caminhava em minha direção, não era pra você que eu olhava. Não era por você que eu sentia. E olha, a culpa não é tua. A culpa é das horas, do tempo que atrasou a tua chegada. Do momento em que ela chegou primeiro. Essas coisas não se evitam. Talvez, se você tivesse chegado antes quando eu precisava que você viesse, talvez, mas talvez mesmo, teria sido você. E quando você insistiu em ficar, eu quis que você ficasse, mas só pra poder esconder o que eu sentia por ela. Tanto que eu não deixei você entrar. Eu a deixei parada na porta, mas não a convidei pra ficar. É complicado pra mim, pior ainda pra você. Quisera ter entendido isso com mais clareza. Mas o importante pra mim era somar. Somar você e ela ao mesmo tempo. Juntas num mesmo sentimento por mim. E era aí que eu poderia ter as duas. Só então quando parei e olhei pelo teu ângulo que eu pude ver que eu só poderia estar com você se isso fosse por inteiro. E eu só entraria pela metade porque a outra parte viajou de férias pra tentar juntar os pedaços por dentro. Eu queria que você entendesse que não deixamos uma pessoa apenas porque não a amamos mais, deixamos porque não dá mais certo. E esse certo é só o tempo que você consegue suportar a saudade. Se você consegue anular isso, meus parabéns, era porque realmente o tempo tinha acabado. Mas posso garantir que meses ainda é pouco. Anos. Anos só se forem muitos mesmo. Essa coisa de novo amor pra esquecer o antigo é furada. Não acredite nisso. Ainda mais vindo de nós, homens. O principal é o sexo. Eu fico com você o tempo necessário pra isso. Até que se canse ou que eu me canse. Mas o meu amor por ela ainda continuaria intacto. Isso é uma coisa que a gente sabe muito bem separar. Aposto que você já ouviu isso. Eu posso com certeza gostar de você, mas não me exija amor. Eu vou ser carinhoso, vou respeitar o teu tempo, vou te dar atenção, andaremos de mãos dadas, ás vezes. Iremos ao cinema, almoçaremos, jantaremos, sairemos juntos, te apresentarei aos meus amigos. Isso a gente faz por costume. Mas uma coisa você tem que fazer por você mesma: Não se iluda. Não crie expectativas. Não se apaixone tão depressa por qualquer pessoa. Você vai acabar encontrando um cara legal, nem que isso leve algum tempo. E se você tiver paciência, essa pessoa vai ser do jeito que mais combina com você. Mas não eu, e não agora. Não adianta ficar procurando alguém tão depressa. Saia, mas não muito. Se divirta. Faça cursos. Viaje, se der. Faça amigos. Esqueça que você precisa de mais alguém além de você. Isso vai te ajudar. Até aparecer alguém. Mas desde que isso não te machuque. Agora entenda, o problema não é você. Sou eu. Eu que amo outra pessoa. E você vai ter que aprender a lidar com isso mais de uma vez, talvez. Eu não vou dizer que és uma garota incrível pra você não ficar se perguntando o porquê então de não estar com você. Eu só quero dizer que você apenas não é ela. E eu quero estar com ela. Ela é a pessoa incrível que eu quero ter do meu lado. Então procure uma pessoa incrível para estar do seu. Se cuida e fica bem sempre. Até um dia.

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Diálogos

- É, devia ter uma espécie de AA pra isso. Pelo menos as pessoas se conheceriam.
- "Oi, meu nome é Carol, e eu estou aqui pra esquecer alguém."
- Rs. Tipo isso mesmo.

- Essa pessoa que você fala, é da faculdade? Do trabalho?
- Nenhum dos dois. É da rua. É da vida. Menos minha.

- Eu estava vendo demais outra pessoa pra ver alguém.

- Qual é a diferença de um segundo pra uma hora?
- 23 horas, 59 minutos e 59 segundos a mais pra ficar com você.

- A melhor que já tive.
- Essa conjugação é só pra quem já teve.

- Como alguém para de escrever numa vírgula? E a curiosidade do leitor, como fica? Que terminasse numa frase sem sentido, em reticências, interrogações ou interjeições exclamadas, mas numa vírgula? O mundo não pode acabar numa vírgula, só pode continuar!
- , (pode começar com uma?)
Estou, tentando conjugar para estava.

Domingo, Junho 28, 2009

Confissões sobre M.G.A

É quando sabemos que corremos riscos: Ao andar na rua, na BR, num bar, num carro, entre pessoas.
Corremos diferentes tipos de riscos todos os dias: O de encontrar alguém que queremos encontrar a muito tempo, de ser pego pela polícia com o documento atrasado, de bater o carro, de ir pra um lugar maravilhoso, de se apaixonar por alguém que no momento nem sabe o que esse verbo piegas e estritamente impulsivo significa.
O coração é um dos primeiros órgãos que sofre com a tomada da decisão que os riscos impõem, depois vem pulmão, estômago e intestinos. O corpo todo tem que assumir que tem cinqüenta por cento de chance para cada lado. E ele é afetado em cem por cento de qualquer metade. Mas não é sobre isso que eu quero falar. A pergunta que me vem sempre à cabeça é: Como impedir que o coração se parta?
É normal que após tantos relacionamentos e tentativas que não deram certo, estarmos indispostos a receber qualquer "intruso". Até mesmo dentro de nossa própria casa, que ao deixá-lo entrar, apresentá-lo a família, convidá-lo para sair com os seus pais, não fique clara e óbvia a sua intenção e a maneira como as coisas, de certa forma (boa ou ruim, depende do seu ponto de vista), estão se complicando para ambos (ou só mesmo um) lado. E como se desfazer disso tudo depois?
Como aceitar o fato de que, ao se encontrar cortado aos pedaços, você ainda tem que se deparar com um monte de lembranças pregadas em sua cabeça, como o fato de o carro dele estar parado em frente ao lugar que você mais adora ir e você para também e entra com uma desculpa qualquer só para poder vê-lo, com cópias desse mesmo carro andando pela cidade com placas diferentes, com o perfume dele em outras pessoas, com a rua da casa dele, com as músicas que tocavam no seu carro, com os tiques dele que ficaram em você? E o que deve ser feito com isso? Como é que se apaga? Como é que se esquece?
Falaram-me sobre defeitos, e algo como exaltá-los. Não funcionou comigo, porque entre tantos, eu não consegui achar nenhum que me incomodasse o suficiente para repentinamente acordar, pensar no mesmo e, BOOM, o sentimento foi embora.
A frustração com a atitude da pessoa funciona melhor do que qualquer defeito exaltado, mas ainda te deixa com aquela sensação, àquela que te sufoca durante a semana toda, e que qualquer pressãozinha estúpida do teu chefe, te faz chorar mais do que quando você perdeu alguma coisa importante quando era criança. Por isso que tem que ser montado um conjunto, porque é preciso se ter certeza de que aquela pessoa definitivamente não é a pessoa certa pra você. Um conjunto de erros, palavras mal ditas e malditas, atitudes inaceitáveis, chantagens, abraços que te faz arrepiar até os pêlos da nuca, aquela coisa explícita e estampada na cara de que você está completamente apaixonada por quem não deveria estar, aquele corpo que você fica observando quando ele se afasta do teu, aquele sorriso que parece que clareou a sala toda de tão lindo que é, aquele jeito de andar, de se mexer, aquela esquiva maldita, aquela indecisão, aquela confusão, aquilo tudo que complica o gostar e o querer tanto não estar gostando.
Ele é uma das pessoas mais maravilhosas que eu conheci até agora, e que apesar das chantagens, de gritar comigo no telefone, de pedir pra que eu o esqueça num ataque de raiva, de ter me deixado de lado depois de intrometimentos alheios, de ter problema em me escutar, de me fazer perguntas que fico sem reação pra responder, de ficar “mi bigaaaaando”, eu gosto dele ainda mais do que deveria gostar. Como se nada adiantasse. E ele vai carregar agora o peso de ser perfeito pra mim com todos os defeitos, até eu finalmente um dia esquecer que ele os tem. Já que esquecer faz parte do curso natural do término de qualquer tipo de relacionamento. Mas agora, eu não quero esquecer, a não ser que...

Domingo, Maio 17, 2009

E se...

Será que ele entende as sutilezas das letras?
Será que ele sorri apertando os dentes?
Será que quando beija sente o esmagar dos lábios na gente?

Será que quando se ausenta está distante?
Será que fechará os olhos com os meus sonhos?
Será que esquecerá dos outros dias?

Saberá lidar com o tormento?
Será que esquecerá as conversas de intervalo?
Será que é a leveza do peso que permanece em mim quando ele ja foi?

A distância é o tempo da minha casa
Pra tua em metros de milhares de
Segundos que dariam a volta na terra
Se não fosse a ausência.

Torpor de saudades e ruas cheias de probabilidades
De serem você em carros marcados, bancos sentados.
Branco de ser vago.

Será que seis acasos manteriam-me perto?
Será que um 'não' me jogaria pra tão longe?
Será que em teu sorriso tem alegria?

Será que a paz que traz contigo não é a minha agonia?
E se você apenas viesse?
E se você apenas ficasse?

Será que tua boca distorceria o que tens no peito?
Será que o que bate em teu peito não é um pulsar de acrílico?
Será que repete os toques?

Será que o de dentro está vazio?
Será que ser oco é o que tens de melhor?
E se a vaguidão que te cerca é aquilo que me esmaga?

E se ter controle significar perder a verdade?
Será que de verdade se perderia?
Será que na verdade o teria?

Balizas no vento, é um contratempo
o teu compasso.
Sorrindo pro tempo, é na demora
abstrata que guardo aquele que é o inverso.

E se eu te esquecesse?
E se eu não lembrasse?
E se você viesse?

E se você ficasse?


Terça-feira, Abril 07, 2009

O amor não tira férias

"Comprovei que, quase tudo o que já foi escrito sobre o amor é verdade. Shakespeare disse: "as buscas terminam com o encontro dos apaixonados.” Que idéia mais extraordinária! Pessoalmente, nunca passei por nada parecido com isso. Mas estou convencida de que Shakespeare tenha.
Suponho que penso no amor mais do que deveria. Me admira o grande poder do amor em alterar e definir nossas vidas. Shakespeare também disse que o amor é cego. Agora, isso eu sei que é verdade.
Para alguns, sem explicação, o amor se apaga. Para outros, o amor se vai. Mas é claro, o amor pode surgir mesmo que por só uma noite. No entanto, existe outro tipo de amor, o tipo mais cruel. Aquele que quase mata suas vítimas. Chama-se "amor não correspondido". E nesse tipo sou experiente.
A maioria das histórias de amor fala de pessoas que se amam mutuamente. Mas o que acontece com os demais? E as nossas histórias? Aqueles que se apaixonam sozinhos?
Somos vítimas de uma relação unilateral. Somos os amaldiçoados dos amantes. Somos os não amados. Os morto-vivos. Os deficientes sem estacionamento reservado.
Sim, vocês estão olhando para uma destas pessoas.
Eu amei intensamente esse homem durante três amargos anos. Sem dúvida, os piores anos da minha vida. As piores ceias de Natal. Os piores aniversários. Vésperas de Ano Novo que acabam em lágrimas e Valium.
Desde que estou apaixonada, tenho os piores anos da minha vida. Tudo porque sofri a maldição de me apaixonar por um homem que não pode e nem quer me corresponder.
Deus, só de vê-lo me acelera o coração. Dá um nó na garganta. Não posso nem engolir.
Todos os sintomas tradicionais.

No mundo do amor, não que eu saiba muito, traição é algo inaceitável.

- Quando estiver mais calma, você vai perceber.
- Sim, é possível. Talvez quando parar de imaginar vocês dois na cama, eu verei o seu ponto de vista.

Tudo estava maravilhoso até me transformar numa despedida.

Você não vai mais ouvir de mim, mesmo se quisesse. E não quer, tenho o clássico problema masculino de falta de consideração. Nunca me lembro de ligar após um encontro.

Nós dois sabemos que preciso parar de gostar você. Seria ótimo se me deixasse tentar.

Obrigado por me resgatar.

Eu queria me afastar das pessoas que vejo o tempo todo. Bem, não de todas as pessoas, de uma pessoa. Queria ficar longe de um cara. Um ex-namorado que acaba de ficar noivo e esqueceu de me avisar.

Nos filmes existem as protagonistas e as melhores amigas. Eu vejo que você é uma mulher protagonista, mas por algum motivo está agindo como a melhor amiga. Você deve ser o protagonista da sua própria vida, pelo amor de Deus!


Como já fizemos sexo e dormimos juntos duas vezes, podemos cortar algumas regras.

- E isso não complica as coisas?
- Sexo sempre complica tudo. Mesmo quando não fazemos. Não fazer também complica as coisas.
- Por isso é melhor fazer. Alguns dizem.

Se ele está aqui, onde está ela?

Obrigado. Mudou o meu mundo.

- Por que sinto atração pelo homem que eu sei que não é bom?*
- Porque espera estar errado, e ignora cada erro que ele faz. E quando ele te surpreende, volta a te conquistar. E fica sem motivos para achar que ele não serve pra você.


Eu sei como é se sentir extremamente pequena e insignificante. E como isso dói em lugares que você nem sabia que tinha em você. E não importa quantos cortes de cabelo, quantas academias você freqüenta, ou quantas garrafas você toma com suas amigas. Você continua indo pra cama todas as noites, repassando todos os detalhes e se pergunta o que fez de errado. Ou como pôde ter entendido errado. Ou como por aquele momento pensou que era feliz. Até se convence de que uma hora ele vai perceber e baterá na sua porta. E depois de tudo, ainda que essa situação tenha durado muito tempo, você vai para um lugar novo e conhece pessoas que te fazem sentir útil de novo. E vai recompondo sua alma, pedaço a pedaço. E toda aquela confusão, os anos desperdiçados da sua vida começam a desaparecer.

Por isso está aqui, para esquecer alguém?

- Ele mantém contato?
- O tempo todo.
- Fica impossível esquecê-lo. Ótimo pra ele, péssimo pra você.


Você nunca me tratou bem, nunca. Partiu meu coração. E se comportava como se a culpa fosse minha. Meu erro foi não ficar brava com você por estar tão apaixonada, e me culpei por anos. Mas vir aqui durante minhas fantásticas férias de natal, e dizer que não quer me perder enquanto está para casar, de certa forma, me dá direito de dizer que acabou. Esta distorcida e venenosa relação que temos finalmente acabou. Milagrosamente, não amo mais você. Tenho uma nova vida para viver. E você não faz parte dela.

Eu gosto de antiquado.
Busco mais "antiquado" na minha vida."

Quinta-feira, Março 26, 2009

Impresso no chão
As memórias de um avião
Uma região, um lago.
Uma figura, um carro.
E eu tento te esquecer.

Quarta-feira, Março 25, 2009

Traço

Que balbuciar a noite trouxe,
Que palavra mal dita,
Que traço mal feito,
Se é de cansaço que me fado,
Se é de espera que me alimento.

Que bocejar incessante me traz a meia noite
Se é na hora que corre que desfaço o meu alento
Se é na vaguidão das ruas que encubro o sentimento
Se é nos olhos que não me vêem que procuro
Cessar esse tormento.

Se é de asa que se faz nesse momento,
De que me vale agora o encanto,
Se não te fez ficares.
Do que me adianta buscar-te,
Se não é por mim que esperas?

Pra que tantos sorrisos,
E telefones indecisos,
Desculpas disfarçadas e esfarrapadas.
Pra que tanto descaso, se é no acaso
que o amor nasce.

Se é só tua boca que pára esses anseios,
A distância que se perde entre os meios,
O asfalto que corre pra tua casa
O carro sem destino que te encontra,
Aonde o amor descansará primeiro?

Então há de balbuciar a palavra
No traço cansado que na espera boceja.
Traz a vaguidão para os olhos com tormento.
E o encanto de ficares e buscar-te
Ao esperar o teu sorriso indeciso e disfarçado.

E no descaso da tua boca
Entre a distância e o asfalto
Mora o amor.

Sábado, Março 07, 2009

Bilhete de embarque

É a pele queimada.
O sol da praia.
O nó descendo pela garganta.
A camisa marcada.
O dente.
O sorriso.

E mais uma vez aquele avião.
A mala.
O horário.
A espera.
O abraço.
E o adeus.

É a camisa queimada.
O nó no sorriso.
A pele marcada.
O aperto dos dentes.
O abraço de adeus.
E o caminhar.

Sexta-feira, Fevereiro 27, 2009

Ter sido

Estar sendo,
No breve momento,
Teria sido o que não fosse ser
Sem ter sido o que se foi desde então.
Mas já sendo,
Tenho que ser o que fui
Sem ser o que se era antes
De ser o que sou agora.
Porém só tenho a dizer que
O sendo me é agora o que fui antes,
Não sendo mais como era
Depois de ser o que fui antes de ser essa agora.
E o ser há de existir,
Pois a saudade ainda o é,
E não deixará de ser desde então.
E se a saudade ainda é, só será se for de ti.

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009

Engrenagem

Quanto tempo demora pra perdemos alguém?

A cidade nunca para. O tempo não congela. Só que o coração, ás vezes, parece parar no tempo. Bem naqueles detalhes, aqueles olhares. Aquela boca que você fica prestando atenção quando abre um sorriso.

Ele para nos abraços, nos beijos, nas conversas, no toque, no jeito. Esse é o relógio que não continua. E tudo se desfaz em lembrança, essa é a engrenagem que pára a nossa cabeça mesmo que se passem cinco meses ou cinco anos.

A pessoa fica presa naquele dia que passou há dez anos atrás. Naquele segundo antes de dizer adeus. Naquela hora em que precisa tomar uma decisão. Naquela primeira vez em que você realmente viu quem precisava ver, e também nas horas em que falhou com alguém.

Gostar é algo complicado, principalmente se o corpo da pessoa que você quer amar continua seguindo no sentido horário, até mesmo anos-luz do teu corpo, enquanto o seu não para de voltar no tempo, e nem sequer segue um segundo com ele.

A luz desloca-se numa velocidade de aproximadamente 300 mil quilômetros por segundo, nada viaja mais rápido do que ela, sendo assim o ano-luz vale 9 460 536 207 068 016 metros. Aonde essa pessoa deve estar agora?

E você? Se você for como eu vai estar parado naquele minuto. Naquele segundo. O tempo passou, mas parou o seu coração.

E no meio disso tudo talvez alguém te sacuda, talvez alguém te dê um choque, talvez alguém te desperte e te faz seguir mais rápido que a velocidade da luz. Talvez. Só que até lá eu continuo presa em alguns desses momentos.

Não adianta forçar que o tempo siga pra você. Isso tem que acontecer do seu jeito. Esquecer pode demorar, mas tudo se deteriora. Você repete tanto essas lembranças em sua cabeça que os detalhes vão se perdendo, e você vai esquecendo. E o que vai ficar em você serão as coisas que outras pessoas irão te trazer.

Uma vez me falaram em “lembrança de sentimento”. Quase todas as vezes que eu me apaixonei, eu pensei que duraria para sempre. E o sempre durou, até simplesmente eu não lembrar mais.

Terça-feira, Fevereiro 17, 2009

Mantra I

Eu preciso te esquecer.
Eu preciso te esquecer.
Eu preciso te esquecer.

Eu preciso te esquecer.
Eu preciso te esquecer.
Eu preciso te esquecer.

Eu preciso te esquecer.
Eu preciso te esquecer.
Eu preciso te esquecer.

Preciso.

Sexta-feira, Janeiro 23, 2009

Despedida

Rubem Braga

E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perda da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.
Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.
E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?
Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.
Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.
A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.

Quinta-feira, Janeiro 22, 2009

Entrelinhas


Correndo
Entre os
Zéfiros,
Afastado dos seus
Ruídos.

{E.M}


Domingo, Dezembro 07, 2008

Rodopios

Até inconciente sente.
Pesado de lembrança,
cansado dessa apatia
E da lassidão latente das horas,
sem ver-te.

Pílula simulando a quietude,
é como parar de sentir,
E nos rodopios das ruas
Um sinal de fogo
Fugindo de carro.

Escurecendo os atalhos,
e as esquinas em retalhos
Saudando o desespero
De braços abertos e
O vazio do dia sem você.

Terça-feira, Novembro 25, 2008

Closer - Perto Demais:

- Quer um sanduíche?
- Não como peixe.
- Por que não?
- Peixes mijam no mar.
- Crianças também.
- Também não como crianças.

- Está atrasado para o trabalho.
- Está dizendo que quer que eu vá?
- Estou dizendo que está atrasado.

- Adicionamos alguns eufemismos pra nossa diversão...
Por exemplo? Ele era jovial, ou seja alcoólatra.
Ele valorizava sua privacidade: Gay.
Ele desfrutava da sua privacidade com ardor:
Bicha louca.
- Qual seria meu eufemismo?
- Ela era irresistível.

- Como o deixou?
- O único jeito de ir embora, "Não te amo mais, adeus."
- Suponhamos que ainda o amasse?
- Eu não iria embora.
- Nunca largou ninguém que amasse?
- Não.

- Por que está desperdiçando o tempo dela?
- Está me condenando.
- Você é um pilantra.
- Não estou desperdiçando o tempo dela. Ela é
completamente adorável e difícil de se deixar.
- E não quer que outro coloque as mãos sujas nela.
- Homens são um lixo.

- Tem um ótimo rosto.
- Todo mundo não tem?
- Suponho que sim.

- Estou esperando você.
- Pra fazer o quê?
- Me deixar.
- Não vou largar você. Eu te amo totalmente.
Que negócio é esse?
- Por favor, me deixe ir. Quero te dar apoio. Está com
vergonha de mim?
- Claro que não. Já Ihe disse, quero ficar só.
- Por quê?
- Para sentir a dor da perda, para pensar.
- Eu te amo. Por que não me deixa fazer isso?
- É só um fim de semana.
- Por que não me deixa te amar?

- Quando meus hábitos ruins a divertem.

- É sobre você, não é?
- Parte de mim.
- É? O que ele omitiu?
- A verdade.

- Ela tem a beleza estúpida da juventude, mas ela é
ardilosa.
- Ela parece aberta, na minha opinião.
- Sim. É isso que ela quer que você veja.

- Isso vai doer.
- Vou ficar com a Anna. Estou apaixonado por ela. Estamos
nos vendo há um ano. Começou na sua inauguração.
- Estou indo.
- Sinto muito.
- Sente muito pelo que?
- Tudo.
- Por que não me disse antes?
- Covardia.
- É por que ela é bem sucedida?
- Não. É porque ela não precisa de mim.
- Já a trouxe aqui?
- Sim.
- - Ela não se casou?
- Ela parou de me ver.
- Foi quando fomos ao campo? Pra celebrar nosso 3º
aniversário? Ligou para ela? Implorou para ela voltar
quando saiu para suas caminhadas sozinho?
- Sim.
- Você é um merda.
- Enganar é brutal. Não estou fingindo que não.
- Como? Como isso funciona? Como você faz isso com alguém?
Não é bom o suficiente.
- Me apaixonei por ela, Alice.
- Como se não tivesse escolha? Tem um momento, sempre
tem. Posso fazer isso, posso ceder ou resistir. Não sei
quando foi seu momento, mas aposto que houve um.
- Estou indo.
- Não é seguro lá fora.
- E é seguro aqui?
- E suas coisas?
- Não preciso de coisas.
- Aonde vai?
- Desaparecer. Ainda posso te ver? Dan, ainda posso te ver?
Responda!
- Não posso te ver. Se eu te ver, nunca vou te deixar.
- O que fará se eu achar outro?
- Ficarei com ciúmes.
- Ainda gosta de mim?
- Claro.
- Está mentindo. Já fui você. Poderia me abraçar? Eu te
divirto, mas eu te canso.
- Não. Não.
- Você me amava mesmo?
- Sempre te amei. Odeio te magoar.
- Então por que está me magoando?
- Porque sou egoísta. Acho que serei mais feliz com ela.
- Não vai. Vai sentir minha falta. Ninguém jamais te
amará tanto quanto eu. O amor não basta? Eu é que deixo,
eu é que tenho que deixar você. Eu é que deixo.

- Tudo é uma versão de outra coisa.

- Gostaria de tocar em você mais tarde.
- Eu não sou puta.
- Eu não pagaria.

- Sei quem você é. Eu te amo. Amo tudo sobre você.
Isso dói.

- Pare de me fazer sofrer. Você me deseja? Por que estou
ficando perdido com meus sentimentos por você.
- Seus sentimentos?
- Seja o que for.

- Odeio retro, odeio o futuro, o que resta pra mim?

- Estou obcecado por você Por que não vou conseguir deixar
você pra trás. Porque acho que em certo grau você me
deve algo por ter me enganado tão bem. Por todas essas razões,
estou implorando para que me dê seu corpo.

- O que tem de tão fabuloso sobre a verdade? Tente mentir para
variar, esse é o costume normal do mundo.

- Todo mundo quer ser feliz. Depressivos não querem. Eles
querem ser infelizes para confirmar que são depressivos.
Se fossem felizes, não podiam mais ser deprimidos ...eles
teriam que entrar de solano mundo e viver e isso é deprimente.

- Eu não fiz aquilo para que ela gostasse, eu trepei com
ela para foder você.

- Você acha que o amor é simples, você acha que o amor é
como um diagrama. Já viu um coração humano? Ele é como um
punho cheio de sangue!

- Você nada sabe sobre o amor porque não entende de meio-termos.

- Quando entrou no meu mundo, foi o momento da minha vida.
- Este é o momento da sua vida.
- Você era perfeita.
- Ainda sou.

- Quando eu voltar, por favor, fale a verdade.
- Por quê?
- Porque estou viciado nela. Porque sem ela somos animais.

- Eu te amo.
- Onde?
- O quê?
- Me mostre. Onde está esse amor? Eu não consigo vê-lo.
Tocá-lo. Senti-lo. Consigo ouvir. Algumas palavras. Mas não
posso fazer nada com suas palavras fáceis. Seja lá o que disser,
é tarde demais.

- Não te amo mais. Adeus.

Quinta-feira, Novembro 13, 2008

Sorrisos.
Inúmeros deles.
E o teu como vaga lembrança preenchendo o vazio.

Terça-feira, Outubro 14, 2008

Invertido

É o inverso. Reverso. Contrário.
O lado oposto do desgosto.
O corpo do avesso.

Quinta-feira, Setembro 25, 2008

Vanilla Sky:

"I suppose the empty street meant loneliness."

"My own death was right there in front of me. You know what happened?
- Your life flashed before my eyes."

"I think good things will happen if you're a good person with a good attitude."

"- I'll sell it to you.
- You monster.
- How much for?
- One kiss."

"That smile's going to be the end of me."

"Every passing minute is another chance to turn it all around."

"Come here. I want to tell you a secret.
(She kiss him)
I meant that to be your forehead."

"I want to be alone for a little bit."

"- When did you stop caring?
- Caring about what?
- About the consequences of the promises that you've made."

"24 hours a day I live with this aching possibility that you might call me to do something."

"When you sleep with someone, your body makes a promise, whether you do or not."

"I had a horrible dream. And what's worse I can't wake up."

"My dreams are a cruel joke. They taunt me. Even in my dreams I'm an idiot who knows she's about to wake up to reality. lf I could only avoid sleep, but I can't."

"I'm not going to lie to you. I liked the way you looked. But you have to pull it the fuck together. If not, I'll forget the other guy. You know that other guy? - You."

"You are coming inside but if this turns out to be a big mistake I do have the ability to fall out of love with you like that."

"Somehow you don't invite happiness in without a full body search."

"I remember. Somebody died. It was me."

"Like you, she never forgot that one night where true love seemed possible. Consequences. lt's the little things. The little things. There's nothing bigger, is there?"

"I don't want to dream any longer."

"- Look at us. I'm frozen and you're dead. And I love you.
- It's a problem.
- I lost you when I got in that car. I'm sorry. Do you remember what you told me once: Every passing minute is another chance to turn it all around. I'll find you again. I'll see you in another life when we are both cats."

(Lindo filme)

Sábado, Setembro 06, 2008

"... Eu não preciso falar dele. Nem olhar fotos porque muitas vezes eu o vejo na rua.
Ando na rua e o vejo no rosto de alguém com mais nitidez do que nas fotos que qualquer um tem em casa..."


(Do filme: "Reine Sobre mim" com modificações que se adaptam a mim.)

Cartas de amigos

De: Menina mais doce que conheço.
Date: Sat, 6 Sep 2008 06:01:26

"Sabe, queria te dar um abraço bem forte e verdadeiro, desses bem apertado e cheios de sentimentos para quando te largar tirar de ti toda essa falta, tristeza e dor que sentes. Infelizmente acho que a distância me impede, mas como eu queria isso...como queria ver alguém que me trata com tanto carinho sem ao menos ter contato pessoal sorrir o mais belo dos sorrisos, ver um brilho a mais em teu olhar, enfim, ver-te feliz. Fica sempre bem, menina mais bonita que já vi. Adoro você, mesmo na distância."
Resposta:
De: Carol
Date: Sat, 6 Sep 2008 06:01:26
"Eu queria muito esse abraço. Desses abraços apertados de Buddypoke. Abraço de tirar o fôlego. Acho que essa tristeza tem a ver com ser inconsequente, mesmo sendo consciente das coisas que eu faço ou que eu já fiz. E grande parte também pelas coisas e pelas pessoas que eu perdi. Mas eu espero que isso passe. Que essa parte de mim amadureça e esqueça essa metade (de mim) que é ruim. Se isso fosse coisa de gene, como a pesquisa diz, quisera eu poder arrancar todos. rsrs. Acho que eu me sentiria melhor se eu soubesse que eu posso ser do jeito que as pessoas me vêem, e não do jeito que eu me vejo quando me deparo com algum espelho. Uma vez li num livro que podemos ter uma visão distorcida do que somos, eu também tenho medo disso. Tenho medo de distorcer uma imagem que pode não ser tão doce, nem tão carinhosa como dizem. Por isso me interpreto de maneira errônea (ou não). Porque eu não sei o que em mim é bom, por só sentir em mim, de fato, aquilo que é ruim. Por isso que eu despenco, como se tivesse caindo de um penhasco, quando recebo uma crítica que não é boa. Eu sei o que de dentro reflete no espelho, e sei também o quão desfigurada e cem vezes aumentada essa imagem irá ficar. E ás vezes eu sinto que você sente tudo isso também.Mas vamos cantar bem alto com o Renato Russo: "Tudo passa, tudo passará. E nossa história não estará pelo avesso assim, sem final feliz. Teremos coisas bonitas pra contar. E até lá, vamos viver. Temos muito ainda por fazer. Não olhe pra trás. Apenas começamos."
Eu te adoro tanto, e não sei explicar da onde vem isso que eu sinto por ti. Mas é enormezão. E obrigado pelo carinho e pela atenção. Eu quero poder ver em ti tudo o que você quer ver em mim.
Beijo."
(Emails trocados)

Quinta-feira, Setembro 04, 2008

É apenas desejo. Ela tenta colocar isso na cabeça, e virar o corpo do avesso pra mostrar que seu coração bate pelo som da frequência do seu nome. Tantos "R", "C", "O", "B" e "F" em seu eletrocardiograma que as batidas das letras vão quase sumindo no meio daquela frequência. Riscos de saudades naquele papel, imersos num corpo cheio de vontade de fazer amor com ele de novo. É estranho amar o vazio e gostar do oco que ficou por dentro.

Sexta-feira, Agosto 29, 2008


No matter what is happiness now.
I already had the most perfect day I've ever seen.
...

Sexta-feira, Agosto 22, 2008

Desabitado de mim

O fato é que eu não consigo esquecer alguns detalhes, uns contornos também. Pedaços inteiros.
O coração está retraído e distraído com tantos impasses, tamanhos embates esses que fazem do sentimento essa prisão. Possuo grades contorcidas no peito, e estas me rasgam a pele.
O que te lembras quando digo: S-I-M-P-L-I-C-I-D-A-D-E.
São as coisas singelas. As coisas pequenas que contam: Esse seu olhar, essa sua boca.
Coisas pequenas, meu caro. Coisas que rodam a vida.
Então vem o descontrole, e é pelo tamanho descuido com as palavras que deixo o peito nesse imenso devoluto. O vazio de não-saber. Que deixo este desmedido corpo desabitado de mim. Ora cansado, ora exausto. E outrora espalhado por estas ruas que passo de olhos fechados.
Ruas que me lembram as chuvas e as brigas. O silêncio e os sorrisos.
Ruas que são feitas de Barros, Osório e Filho.

Terça-feira, Maio 13, 2008

Eu nunca fui boa com decisões,
e agora um outro quer decidir a minha vida.
Nunca fui boa em dizer não,
e agora um outro quer falar por minha boca.
Eu nunca fui boa em esquecer,
e agora tem um outro querendo apagar
minha memória.

Terça-feira, Outubro 23, 2007

Tarja preta




A minha felicidade está dividida em 28 pedaços
que se espalham em uma caixa preta, e se dissolvem
em sucos gástricos de tristeza.

Partes dosadas que não me livram do desalento dos
dias contados em que hei de pensar na morte.
E que o sinônimo de ser forte é ter olhar triste,
caminhar hesitante e um pesar na sorte.

Metades tomadas por inteiro pra ter a já fixada
adinamia arrancada do peito pelos intervalos de clarão
e noite das horas plantadas no corpo lacerado.

Um todo contristado feito de refúgio e coração.
Repartido por horários,
Repetido nos vocabulários,
Como máculas de desistência e substituição.

Um meio de fechar os olhos,
e pedir que o tempo pare.
Uma parte destoada da melancolia.
E um todo que diverge da alegria desses dias.

Domingo, Agosto 05, 2007

Chiesta

Eu fiquei me perguntando se havia telefone em Manaus.
Se há lugar do lado. Se tinha um lugar no carro.
Se ainda estava dentro do abraço.

Indaguei-me se ao menos havia um espaço, um lugar no altar.
Se há um lugar pros dedos, um espaço pros beijos.
Se havia um assento marcado, um convite guardado.

Perguntei se tem vaga pro riso, um canto escondido.
Se algum avião poderia me levar embora.
Se alguém não me deixaria passar porta afora.

Quis entender o sentido, tão unidirecional, do egoísmo.
Se há algum 'eu' mergulhado em você.
Se devo andare via.

Domingo, Julho 15, 2007

Lacrime con Difetto

Estava um sol escaldante naquela tarde que, de tão radiante, impediu-me de ver o outro lado da rua. O lado onde você não estava.
Passei fingindo deixar espaços pra trás. Aqueles vazios.
Vazios de traços, pontas e dedos.
Mãos, bocas e beijos.
Foi então que percebi que havia um cordão que me prendia a tua vida. Verbo do passado. E o que tem realmente passado, é só falta.
A cama ainda está desarrumada, e as músicas já não tocam no mesmo tom. A casa mudou de lugar.
E o corpo está com defeito, parece haver lágrimas até nos dedos do chão.
O amor cura isso?
um abraço?
um "eu te amo"?
Não sei, isto é uma fenda. Um espaço vazio.
E a ausência disso tem sido uma foice golpeada contra mim, fazendo do meu coração um pesar.
Cadê a pessoa que me amava?
Se fecho os olhos vejo que só me adora, e lembro do silêncio dos "não sei", da cadeira rodando, de cigarros, da frieza, do comodismo, portas de carro, de uma história que eu já vi antes.
O corpo está com defeito porque ele inteiro não pára de chorar.


Sábado, Junho 16, 2007

Bocas Adjacentes

No começo eu andava meio reto, ora curvado quase lambendo o chão. Mas sempre em paz com o coração. Sempre preso naquele tempo que demorava para dar uma volta, naquela sala de dentes abertos vinte e quatro horas.
E de segundo em segundo, esses anos que passaram fizeram com que eu me encontrasse no meio de tudo, sentado com uma interrogação. Como se apenas esperasse uma xícara de café ou alguém.
Como se o que mais me importasse na vida fosse a atenção que eles me dariam se, de fato, eu estivesse vivo em suas vidas.
Bom e machucado demais, continuei padecendo maniatado do mesmo trabalho até a vida começar a me pregar peças. Que numa dessas me fez perder o sentido total da razão. Deixando-me apenas com a curiosidade das mãos, e olhando para tudo que poderia ainda tocar.
Foi tentando lembrar do rosto de alguém ou de um sorriso que percebi que me faltaram bocas, até mesmo para ter dado um beijo, daqueles bem dado que a gente só vê nos filmes que passam no cinema.
E a boca que mais me fez falta foi aquela que eu não beijei, a que eu deixei de lado por causa de perdão.
Alguns disseram que é por falta de vergonha que se perdoam as bocas. Mas às vezes elas são tão convincentes com as palavras que acabamos nem notando a falta de um pulso forte pra dizer não.
É, eu fui assim. E ando tão confuso com punhos, pulsos e perdão que nem sei mais se o lado escolhido não foi apenas sílabas trocadas junto com esse vão que trago agora no peito pela palavra "perdão".

Sexta-feira, Junho 01, 2007

Filme pornô

Era um pouco de tudo. Formas, cantos, retratos, desejo, mesa, cama, cadeira, sexo, filme e travesseiro.
Um pouco, até mesmo, do vizinho que não morava ali do lado, e da falta de uma foto para se ficar olhando.
E tudo era pensamento.
Sentia-se fraca pra desistir, e cansada demais pra continuar.
Machucada para recomeçar.
Tudo também era feito de detalhes, pensava ela.
Retalhos de um sorriso.
Quando se olhava no espelho nem sabia mais se o reflexo que via era o do próprio sorriso ou se era o riso da moça desnuda do computador.
Teve vontade de ser aquela mulher porque, por mais ou por menos, faria sexo de "mentirinha" com algum rapaz que acabara de conhecer, já que namorados nem sempre servem pra isso.
Então pensou numa foto que viu do vizinho:
"Daria um belo ator pornô".
E se imaginou como ficaria no frio do ar-condicionado com ele:
"Atrás ou na frente das cameras? - Não importa."
(Detalhes, lembra? Desde que houvesse algum sincronismo.)
"Como seria o nome?"
"Quanto tempo duraria?"
Na mitologia, as ninfas precisavam de sexo para permanecer jovens, então o tempo não importava muito, só ele.
Por um instante teve medo, porque era esse "só ele" que preocupava. E se aquilo não fosse mero desejo? Não quis descobrir, não poderia dar tanto significado para uma vontade, mesmo tencionando as coisas. Afinal, nunca deu nenhum passo em direção a algo próximo a isso, olhares talvez.
Pegou-se desprevenida, imaginando-se num desses filmes que existem bons mocinhos e que a única coisa que importava era estar com a mocinha que eles amavam. Hoje não é mais assim:
- Flores, a gente só recebe como desculpa por algum erro ou por alguma traição. Presentes, só em datas obrigatórias. Carinho, atenção, cuidado e coisas divertidas, mudaram para frieza e comodismo. Cara de final de domingo.
O mal do século mudou, Lord Byron deveria saber disso.
Foi fechando o livro de cabeceira e apagando a luz que acabou o dia pensando numa frase que ficou das horas passadas:
"Precisa-se de um amor de verdade."
Consentiu com a cabeça, e dormiu.

Sexta-feira, Maio 11, 2007

Quarto Andar

Estava ainda encostado na parede, pensando: 'Não consegui.'
Tão milimetricamente calculado e incapaz. Sentia o gosto daquele choro na garganta, e me via com os olhos tão afogados em lágrimas quanto jamais imaginara na tão triste pintura que se fazia o rosto dela.
Tudo daquilo ali era um pouco de mim, e a falta disto era eu inteiro.
Me criei cheio de falhas, e com um monte de faltas no coração. Buracos por preencher.
Lugar pra guardar pra quem?
Pra ELA, pronome substantivado cravado no peito e amarrado por mil correntes colocadas por mim pra não deixá-la escapar um segundo sequer da memória.
Cansei de ouvir "um milhão de coisas", e agora estou cansado de sentir tanta saudade de "um milhão coisas" que ela dizia pra mim.
Cansado dessa chuva que passa, e desse frio que não fica. Cansado de dias assim.
Estou tão machucado por me jogar calado em seus braços, que do descuido dos fatos me acho com a cara pregada junto com as solas dos sapatos no chão.
Chorou por quê? Por vontade.
Vontade de quê? De sentir todos os sentidos que conseguia antes sentir.
Vontade, palavra estranha se a gente ficar prestando muita atenção.

Sexta-feira, Abril 27, 2007

Esquiva


Um coração que pulsa
Ou será que pesa?

Tens os olhos parados
Como alguém que olha de lado
E vê o embaraçado recriar-se.

Nunca li ou será que nunca ouvi?

Tenho nos lábios
A ausência do som do teu nome,
E é assim que me esquivo,
Longínquo e contorcido.

Mantendo distância como
Dois pontos matemáticos.
Fixando-me num cubo branco,
Vazio de ti e cheio desses alguéns
Que numa pronúncia constante
Cochicham palavras sem tom.

E eu ignoro,
Já que tenho pausas de anos
Até encontrar um significado,
Alguma coisa de não sei o que,
Um velho e bom bocado de você.

Sexta-feira, Março 30, 2007

Canto dos lados



Como se os degraus e as paredes fizessem parte de você,
eu passo com os olhos vagos.

Como se esses murmuros gélidos cobrissem minha face
que vermelha te ignora,
fossem derreter o 'aqui dentro' que tanto te censura,
permaneces estático no canto do olho.

Como se as ruas não te seguissem,
eu sei onde você mora.

Como se o corpo te rejeitasse,
tenho vontade de você.

Domingo, Março 11, 2007

BaRcos

Te vejo piscar quando o olho seca,
Num vazio de lágrimas.
E exitar ir embora se o olho implora pela demora,
e fixa em minha boca um cais.
Tens o corpo gasto pelos meus abraços,
e agora em meus braços tamanho é o descuido
que teme a falta do teu cansaço.

Sexta-feira, Março 02, 2007

Outono
Sinto-me pequeno num corpo tão grande.
Desajeitado num molde que não me cabe.
Perdido.
Estagnado.
Roubado.
E essa boca que mastiga precipícios,
cospe esses vazios dentro de mim.
Desconfigurando-me os sentidos,
impondo-me calado, recalcado.
Reprimido.
Disperso. Inverso.
Jogado.
Gasto.

Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007

Tudo soa como Sigur Ros num dia de chuva e febre quando se quer ficar.
Se acenar bastasse.

Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007

Ele tem mania de pegar coração doente pra cuidar. Às vezes até parece que escuta o bicho de longe a bater angustiado, com os compassos todos desesperados.
Lembro que me perguntava sobre arrependimento. Cedo demais pra eu poder responder.
Então ele pegou o meu coração doente pra cuidar. Só que faltava um pedaço. E sem esse pedaço meu coração era inteiro dele.
Sem esse pedaço o meu coração era dele.

Quinta-feira, Dezembro 21, 2006

É no ódio de ser tão fraco que me aproximo do desespero,
Mas não com tanta tristeza como essa agora
Grudada no peito.
Antes, quisera eu ter partido pra dentro dos temporais
Ao invés de sentir tanto gosto,
Mesmo que tal façanha me traga gozo,
Quando perto de ti amanheço.
Já não sei mais se é porque adormeço,
Ou se fujo sem ter o direito de te deixar.
Mas saiba que só hoje te amo com
Tamanho alvoroço, porque amanhã
Já parto em direção ao porto,
Fugindo assim do teu cais.

Domingo, Dezembro 17, 2006

Com-sentimento

Ele vivia dizendo que queria jogar fora o coração pra poder acabar com aquela velha arritmia, porque podia sentir cada letra (saindo pelos olhos num tom grave de corda muda) das frases que travavam a língua dele.
Vôo alto pra um só quase sempre é queda, falaram pra ele. Falaram tanto que a fratura foi exposta, e ele aprendeu a cair.
Sempre errou as chaves pra abrir a porta, mesmo no meio de tanta probabilidade, era difícil achar a certa. E abrir a porta, significava despedida.
Errar era bom quando se podia ficar da mesma maneira em que se entrou, outra coisa difícil, porque não era dele a chave. Não essa. E tinha uma insegurança enorme por conhecer o que estava além da porta, e por saber que dava pra ver de longe o vão daquela mesma porta. Que era só sair. Mas ele não era bom em dizer 'tchau'.
O apego é coisa complicada, a gente pensa que é amor. E ele pensava que era, porque era penoso pra ele se apegar. Bastava-lhe alguns dias longe pra esquecer como um rosto se formava, só que suas lembranças lhe pregavam peças, e era um trabalho árduo caminhar com tanto peso na cabeça. Aquilo tudo era quase um vício: Algo que tinha que se livrar, mas não conseguia.
Ele sabia que era difícil poder deduzir com tanta precisão, ainda mais olhando para aquele espaço vazio na porta, que apenas o esperava sair pra não voltar. Desejara antes nem ter entrado. As consequências doem, pensava ele. E o "consentimento é uma coisa que sangra", dizia Victor Hugo em Trabalhadores do Mar. E tudo aconteceu por causa de um consentimento.
Ás vezes é difícil seguir em frente quando ainda há falta. É o vão daquela porta no peito.

Terça-feira, Dezembro 12, 2006

Escondendo teus medos

Ela parecia uma pobre coitada. Tinha uma força enorme quando estava longe dele, mas se ele chegava perto ela enfraquecia.
Gente grossa é gente esquisita, nunca estão satisfeitos com o próprio ego. É, ele era assim. E arrancava dela cada suspiro para conseguir caminhar.
Aquela coisa de "o fraco tem que ser forte e partir, quando o forte é fraco demais pra onfender o fraco", não funcionava com eles. Ele era o forte, e a ofendia em todas as brechas possíveis ou mesmo não havendo brechas, ele as criava. Ela era o fraco, mas pra partir não foi forte. Não por falta de incentivo, mas porque criaram uma palavrinha chamada ACEITAÇÃO que agora todo mundo usa como se estivesse na moda, e ela não foi uma exceção. Talvez nem queira ser. Não a culpo por isso, mas sinto muito por ela. Não pena, mas algo maior do que isso: Amor. E o fato de tentar estalar os dedos pra mudar a vida dela, só me faz lembrar que aqueles contos de fadas dos tantos livros que ganhei, não passavam de uma mentira absurda e exagerada. Nenhum deles, até mesmo o livro de São Cipriano, que de conto de fadas não tem nada, não tinham a fórmula pra fazer mudar as coisas pra ela. E mesmo se tivessem, dizem que não se muda sentimento.
Sentimento pra mim sempre significou sentir muito. E isso eu conheço de uma forma inconstante, impulsiva e descontente. Com ela não seria diferente. Mas penso que esteja feliz dentro dos limites que ela se dispõe. E não confusa em relação ao conceito de felicidade, como eu estou. Fiz das minhas vontades certas, um erro no tempo. Isso ás vezes machuca, mais a mim do que a qualquer um que já sentiu isso por mim. Não sei se existe alguém lá em cima, nem se existe lá em cima, mas fiz quase tudo pra ser feliz sem intenção de ser ruim, e almejei a felicidade dela bem mais do que a minha. Outro erro no tempo, sem concertos esse. Não foi ao contrário com ela. Tanto que me mandou pra longe pra me fazer parar de sentir dor. Agradeci chorando. Não pude fazer o mesmo por ela, pois causei uma dor maior indo embora. Dor chamada saudade e abandono.
Que pra mim significou falta e choro.

Quinta-feira, Dezembro 07, 2006

Cartas sem passado

"O que era aquilo que estava do lado de dentro?"
Lembro-me insistentemente dessa pergunta, mesmo que não a contragosto, o que a faria tão forte assim? E ela ainda conseguia ler isso nas cartas.
Eu não era exatamente cética, mas nunca busquei pelo amor numa folha de papel cheia de cores e símbolos, em paredes talvez. Nunca acreditei que o amor pudesse ser previsto diante de tanto esquecimento. Eu não sabia se estava errada, mas ela pudia ver. Tava ali com todas as descrições e detalhes importantes, menos um: O único que não dava pra ler.
E que diferença faria isso, eu tinha todas as provas. Era ele sim, aquele por quem pude esperar, e que até ele chegar tantos outros passaram.
E foi nisso que acreditei.
Passou Marcos, Paulo, Pedro, João, Caetano, até mesmo um Chico e nada dele. Se bem que toda vez que eu via um brilho diferente nos olhos de alguém pensava: É ele. E lá estava eu de novo, esquecendo tantos outros "eles" que já haviam passado.
Um dia sem querer pensei: 'ela podia não estar prevendo um amor, mas um caminho até ele. Ou simplesmente estar me libertando da timidez em que me encontrava na época, pois nem olhar pros lados conseguia, quem dirá ficar prestando atenção se algum amor chegaria.'
Sei lá, eu acreditei piamente naquilo tudo. Mas sabe quando você sente que alguma coisa ficou pra trás, era isso o que eu sentia toda vez que uma música lenta tocava. Só pensava em querer dançar com o Albertinho. Êta, homem, um pé-de-valsa e tanto. Um amor e tanto também. A mulher não falou nada sobre ele naquelas cartas. Por que será? Acho que era porque ele estava em algum lugar do passado, daqueles que ficam bem escondidinhos e que se não tiver nenhuma música lenta tocando, a lembrança não toma vida. Nunca mais me senti igual, nem lembrei de alguém como lembrei do Albertinho.
Passado que toma vida.
Eu, hein, coisa mais esquisita essa.


"Acreditavam que eu era surrealista, mas não o era.
Nunca pintei meus sonhos. Pintei minha própria realidade."
Frida kahlo

Quinta-feira, Novembro 30, 2006

Tudo que era dele era incômodo e poesia:

Lábios
Saliva doce
Aperto no peito
Ânsia
Saudade
Sorriso de criança
Correr desengonçado
Palavras lançadas
Despedidas
Esquivos
Discussões
Choros
Soluços
Indiferença
Palavrões
Vontades
Abraços
toques
Distância
Beijos
Sensações
Sexo
Música
Desespero
Nervosismo
Inquietação
Ruas
e
lagos de janeiros.

Sexta-feira, Novembro 24, 2006

Lembro que ainda escrevo nas paredes pedaços de um destino retorcido.
É como perder de si mesmo a parte que te caracteriza, e esquecer os sorrisos de improviso.
É como andar de bicicleta sem você. Sempre cruzando linhas tênues com as pontas dos dedos. Esquecendo os palavrões, engolindo palavras pra não te fazer escutar o que distante no asfalto percorre na falta da fala e na mão a te acenar.
Sempre deixando marcas embaixo da pele, sei que correr não fará de mim algo maior, tão pouco ajuda a esticar esses vínculos até quebrar.
Cordas frágeis que não arrebentam.

Por quem foi que me trocaram
Quando estava a olhar pra ti?
Pousa a tua mão na minha
E, sem me olhares, sorri.

Sorri do teu pensamento
Porque eu só quero pensar
Que é de mim que ele esta feito
É que tens para me dar.

Depois aperta-me a mão
E vira os olhos a mim...
Por quem foi que me trocaram
Quando estás a olhar-me assim?

(Fernando Pessoa)

Fugindo do carnaval

Eu que muitas vezes não gostei do carnaval o vi parado, encostado, vendo aquela multidão toda se esbarrando e gemendo com hálito de camisinha.
Não pensei em ficar ali, pasma e embasbacada admirando os vestígios daquelas expressões que ressaltavam claramente como rugas em seu rosto. Quis ver passar o trio que carregava toda aquela gente, mas me pegava as vezes explorando o canto do olho, inquieta.
Nunca vi tanta beleza reunida, chegou a me repelir de tanto nojo que senti.
Beleza velha naqueles olhos, tantas linhas traçadas que lembravam meu pai, velho recalcado e tímido. Mas que nunca me atraiu tanto. Talvez porque eu cresci com o sexo masculino dele enfiado em minha garganta. Precisava ser homem com uns braços de mulher.
Já tem um bom tempo que ele morreu, quem sabe essas rugas me fazem falta agora.
Uma senhora veio ter comigo uma conversa qualquer, perguntara sobre os pássaros que sobrevoaram a cidade naquela tarde. Disse-me que serviram pra carregar os maus espíritos, mas pensei comigo que não, pois via as pregas da cara de meu pai naquele rosto grudado a parede.
Uma lembrança ruim num aspecto de ternura, eu não me deixava calar por dentro.
Aquele homem tinha quase forma de interrogação, e a coisa que eu mais queria era ir até lá e colocar um ponto final, mas essa marca quem precisava era meu corpo.

Porque o esforço é vil e vão.
A verdade, quem a quis?
ESCUTA SÓ MEU CORAÇÃO.
Tenho um coração fraco e doente
Porque vive a bater de frente
Com tantas faces,
Maléficas e armadas,
Daqueles que vivem
Dentro de minha casa.

"Perdi-me muitas vezes pelo mar
Com o ouvido cheio de flores recem-cortadas
Com a lingua, cheia de amor e de agonia

Muitas vezes me perdi pelo mar
Como me perco no coração de alguns meninos
Porque as rosas buscam em frente

Uma dura paisagem de osso
E as mão do homem não tem mais sentido
Que imitar as raízes sobre a terra

Como me perco no coração de alguns meninos
Perdi-me muitas vezes pelo marIgnorante da água
Vou buscando uma morte de luz que me consuma."

(Federico Garcia Lorca)

Círculos de você

Eu me arrasto preso aos teus pés e corto as cenas.
Papéis despedaçados espalhados pelo centro da casa.
Marcas de Deftones, barulhos de Team Sleep.
Eu já não quero saber se o telefone toca.
Nunca é você.
Sinto contradizer o amor, e permanecer ainda lembrando
da falta que me faz toda indiferença.
Se foi único, era verdadeiro.
Então fiz círculos de desconfianças.
Tão descontente desenhei barreiras.
E saturei tantos outros exigindo sentimento alheio.
Me prendi cheio de cordas ligadas ao teu corpo,
e me moldei pequena para caber em tua boca.
Tirando de mim todo o resto.
É essa saudade que me leva embora o pensamento,
deixando apenas sentado na cadeira lábios sem movimento.
Se tudo o que não é teu traz marcas de você,
pra onde jogar a fumaça de tantas lembranças?
Pra onde tragar tanta falta?
Eu já não tenho mais forças pra esquecer,
e sinto ter que evitar outros sorrisos a mim dirigidos.

(escutando enquanto escrevo: Aniversary Of An Uninteresting Event - Deftones)

Nome Dele

Eu preciso aceitar certos defeitos.
Sei que não me cabe mais a mínima porção de você, pois estou a explodir de tanto que te tenho aqui dentro.
Preciso escrever os nomes nos corredores, ou me calar diante da turma cada vez que sigo porta adentro.
Me fechar a boca pra não pronunciar pedaços que ficam de você em minha língua toda vez que me pego relembrando das partes que te gritam, fazendo de mim alguém fraco o suficiente pra não te manter mais em segredo.
Nem sei mais como é adorar tudo em você, de tão perdido que fico quando me deparo com esses olhos grandes andando dispersos pelo espaço que me sobra, quando me cubro cheio de vergonha.
Sei que te quero perto sempre, mas como você mesmo disse, é bom sentir a tua falta.
Eu fico meio sem saber o que pensar porque não consigo te afastar um instante sequer, e no desconforto de ter que te distanciar, eu ficaria apartado de mim.
E é fato, não quero ficar longe de ti, acho que me acostumei a te ter nos mesmo lugares, mesmo sendo cantos escondidos e completamente despreocupados se crítica maior nos vissem.
Posso dizer que foram tantas as que me bambearam as pernas, e que só permaneço em pé pois te adoro de maneira estranha e intensa. Sem querer me curvar, mas só correr pra te abraçar.

Trancando Sorrisos

Deitado, arrancando pensamentos de dentro.
Tentando repetir essas palavras, que de nada tem, a não ser o fato de terem sido bocejadas.
Eu tentei avisá-la que o dia já se fazia tarde, mas não contei das horas, que como de costume pegavam carona bem na hora que eu chegava perto dela.
Passavam rápido, quase voando. É o medo de ter e perder-se.
Conheço um lugar próximo destes que estão aqui que me lembra muito você, dá vontade de ficar lá parado como você ficava depois de tanto pensar num desses jeitos de por todos os defeitos num canto só.
E esse canto era eu.
Imóvel absoluto, sem poder me defender de tantas golfadas dadas com palavras, separadas com uma pausa só.
Ficar falando que vai e não ir é coisa chata. Pesa o coração dos outros. Não o meu, mas dos outros. Por mim já terias ido, mas por ti tudo quanto é membro que o coração não controla, decidem obedecê-lo outrora a ficar.
Não mando mais no meu próprio peito, penso que já bates aqui dentro com defeito, pois não é de trancar uma só pessoa bem aí nesse único espaço antes apartados de mim ou não era desde então. Penso ser agora ou ter sido antes não podendo ser.

Aprender a fugir

Pensei ser brincadeira.
Corri feliz e quieta pelos cantos de costume.
Não quis sorrir.
Deixei os dias te tragarem pra memória,
E cantei ao sentir saudade como se eu já soubesse de ti.
Abaixei o tom da voz,
Conversei baixinho pra reprimir tal alegria,
Como se eu já pudesse prever
Mesmo que não podendo reverter toda discussão.
Mesmo pensando que tal amor fosse mesquinho e em vão.
Ouvi dizer que andavas saindo,
Mas que não diferente de mim,
Estavas já também com alguém.
Não me doeu no peito.
Nem fez surtir em mim algum efeito,
Por ter então feito armadura de ti.
Como se eu já tivesse decorado tuas reações
Pude assim saber do teu próximo parágrafo,
Evitei tais linhas.
Quis de novo aprender a fugir.

Repetindo Contradições

Se escrevo, ele apaga.
Se ele corre. Eu paro.
Então ele sorri e eu corro.
Dorme com a boca aberta, e baba.
Sentada, eu olho ele acordar.

Mexe no travesseiro. E vira.
Me empurra pro chão e segura.
Então me abraça pra não dormir.
E conversando me tira o sono.

Prende a respiração pra soltar palavras
e repete contradições.
Brinca de não sentir nada,
e finge entender quando quer falar.

Se ele pára. Eu corro.
Então eu o abraço e ele foge.
Ele me puxa, eu solto.
E me beija enquanto falo.

Distância Disforme

É como se fosse uma dependência simultaneamente química e desnecessária. Os olhos pedem para enxergar os pretextos de um corpo fisiologicamente arrastados por calçadas onde se consiga ver mais uma daquelas mentes nada brilhantes.

Mas o corpo não pode arrastar-se à longa distância. Ele está preso a uma tentativa inerte de se trazer o 'longe' comendo a dentes crus o pedaço de asfalto que nos separa daquele sentimento que de tão corrosivo nos trouxe até aqui.

Não se sabe se é o efeito da fumaça ou a vontade do instinto, mas cria-se uma razão inutilmente ligada ao impacto, e satisfatoriamente separada do conceito criado pelo pensamento que está imerso na raiva.

É o auto-exílio, propriamente dito. É o ser humano desarmado de si mesmo, e diante disso nos movemos através de um significado que está quase rente à loucura.

Rente até mesmo ao desespero, que num breve estupor, todo o peso de uma existência, baseada em idéias disformes, passa a ser leve ante a necessidade de encontrar aquele mesmo e velho sentido que uma vez chamaram de NORTE.

Repetições de "um você", lembrando de "algum eu"...

É estranho repetir os mesmos gestos. Eu me pego fazendo coisas que você fazia alguns anos atrás. Te imagino com o mesmo costume, e isso faz com que fique tão mais encantador por estar sendo uma repetição inconsciente de uma lembrança tua. Imperceptíveis movimentos do corpo estando agora em outra distância, com um apego indireto mais sincero. E com olhos tão fáceis de serem traduzidos, que a boca pronuncia, sem querer, outro nome. Desistindo de lembrar do nome teu.
Apenas lembro do que quero esquecer, porque leio ainda as tuas vontades, e sei que te faço perto por ver-te no banco ao lado me proibindo ser criança por não ser você. Proibindo-me fechar-te os olhos por estar longe do alcance de minha boca. Proibindo-me de ter saudades porque já não mais faz parte do que mantenho próximo, e por ter outros tantos centímetros que quase não me cabem, ocupando espaços antes teus. Apagando milímetros-detalhes, deixando em outra face um rosto que não é seu.

Liberdade Seca

É um consentimento. Permito-me permanecer trancada. Se eu bloqueio essa visão, eu desisto de um sonho.Eu mesma não sonhei com tudo isto. Não participei dessa felicidade. Não planejei estar parada, nem ficar sentada esperando o tempo passar.
Se o conceito que eu ativo tomasse proporções que eu não conseguisse controlar, descomplicaria inusitadas distinções. E eu cancelaria esse outro tipo de tristeza que carrega com peso meu estômago.

Se eu sair pra voar céu afora, coloriria as partes da minha saia que anseiam por ventos novos.
Não quero que me tranquem com paredes que me rodeiam. Nem que me deixem inexistir por segundos perplexos. Preciso de asas que me deixem voar ou de asas que me levem. Proteção que me deixe cercada de gente estranha. Risos que desconhecidos me tiram. Estradas que outros amores me levarão. Preciso dançar num quintal com música. Chorar com lágrimas de gracejo, e andar com pés descalços na chuva. Apenas não me deixe grudada a cama olhando a tinta cinza já seca de meu quarto. Esperando.

Conquista de pequenas solidões. Eu me fecho em quadrado com sentimentos apartados. Vendo grande parte dos dias irem embora, levando algo que preciso que fique. Não por vontade dele, mas por egoísmo meu de querer as horas todas voltadas pra mim. De sentir dentro de grandes olhos o tom claro e ensurdecedor que minha voz precisa. O toque áspero e delicado que meu corpo deseja.Apenas não me deixe correr pra longe. Não sem antes arrancar o pequeno pedaço teu que insiste sem permissão em ficar aqui.

Apenas não me deixe fugir...

Coibir com condescendência

É normal me perder entre confusões. Exagerar com palavras a tua língua. Criar intenções em teus olhos. Imaginar fagulhas de devaneio em seu sorriso, e distorcer significados. Eu apenas quis não pensar com sobressaltos. Nem vaguear irresoluto por imagens paralisadas e silêncios de porta de carro.

Apenas quis "do ventre outro coração". E uma outra memória.

Desmistificando a mordida com conotação sentimental. Eu a denoto sem formas. Te faço ver um "além-mundo" entre os dentes, pungindo a tua boca, como a de quem não sente. Será que agora você percebe quem nem tudo isso é dor? E que nem todos os olhos são vontades?

Corrijo então tua postura em relação a mim, e te mostro em que cadeira sentar. Já não será mais como se fosse parte, preenchendo os vazios pela metade. Só ficará com a força que te coíbe, e não mais terá a face dos olhos que um dia, sem querer, sorriram pra mim.

Asas no estômago

Os nós crescem como se as borboletas
se debatessem por aqui.
e sei que passar desapercebido
não me faz esconder o rosto.
Tão pouco me tira desse fosso que me enfiei
para encobrir o lugar da "fila do pão" que não queria ter.
Sentimento que é fuga,
e não sei porquê razão me desfaço em
falhas na hora de ter que correr.
Ruídos de um vazio preenchido
apenas pela falta do que esquecer.
Asas espalhadas pelo estômago.
Malas desfeitas,
e gente esperando no carro.

Te calo com papéis invertidos

Não sei do sentir,
Mas na vontade de perder me deixo desperdiçar as horas
Ao esperar um dos sinais a doer no peito:
"E aceito a cicatriz como um perdão."
Conheço as roupas que querem te carregar pra longe,
E tenho decorado cada frase que te distancia de mim.
Desconheço a semana em que te perdi,
E que vi todo amor caindo sem a leveza de tantos
"eu te amo"
Que foram espalhados pelo quarto.
Sem as expressões desenhadas na tua boca
Que tantos outros beijos pronunciaram.
Tenho a marca das chaves que abriram a porta
Pra que você fosse embora,
E tua necessidade de ficar gravada
Em alguma lágrima que deixei cair.
Sem poder gritar, eu calo cada pedaço teu.
E deixo de sentir na saudade essas outras imagens
Que passam feito slide,
Quando ouço cada acorde que se transforma em você.

Riscando lados

Direito, com perna esquerda.
Se eu tropeço, é nas palavras.
E se eu me deparo, é porque encaro de perto
e calçado um muro distante do meu.
Um querer de dia normal,
vazio de pessoas e cheios de ti.
Riscando lados, sei dos acasos
e dos pés que não te alcançaram.
"Vira e feche os olhos", escolha na cor
o que de azul demora nas tuas horas pra
te fazer ficar um dia a mais.
Vontade de não te ter nunca pra correr em
outras ruas um sentido que não é teu,
deixando de ter teus gesto atrapalhados aos meus.

Se - pa - ran - do

Se for pra ser igual ao que se é sempre,
esqueça que faço do embaraço minhas pernas.
Se for pra ter num abraço tantos outros abraços,
ter que te calar e interpor palavrões
lançados com descasos de outros lábios,
esqueça que mastigo palavras de sua saliva.
E que, sem querer, acho algum pedaço
que foi jogado dentro de sua boca num acaso.

Invenção das horas

Eu fico descalço pra fazer o tempo demorar mais.
Finjo não me importar com as horas.
Me escondo pra ficar por perto e
invento cores pra te levar

Superfície de outro

E mesmo longe de pensar que não faço parte desse centro que me ata e me conduz até a superfície, eu o encorajo a ficar imóvel dentro do silêncio junto a mim, que com carne fraca o mantenho vivo.
Se eu paro em direção contrária consigo me lembrar dos rastros que ficavam cada vez que embora ia o amparo, antes desatado a tudo o que pertencia a mim.
"Sem dias de chuva", dizia ele cansado de tanto que eu suguei, sem por querer ter, sua saliva.
E eu deixei de correr pra trás. Empurrei uma sombra a frente. Não quis dizer: Fique!
Por ser o que não se quer ter longe. Nem ter o que não se pode, perto.
Bastava-lhe chorar em dias em que ao sair do banho, encontrava em sua cama a falta daquele sorriso indeciso que pedia agarrado pra que não deixasse a porta aberta enquanto lhe fazia do amor algo guardado entre as pernas.
E mesmo assim, ele não conseguiu impedir que a porta se fechasse. Me deixou ir com o riso embaraçado e a falta de um amor guardado.
E pra dizer "tchau" desligou o telefone.
A única coisa que me coube levar foi uma interrogação sincera, de uma verdade indiscreta que não me deixava estar presa ao verbo ficar.
E não ficando fui. E de não pensar em partir, cheguei.
Pelo menos assim ninguém briga comigo quando eu digo que é a falta dele que eu mais sinto. "Não construa sobre a areia o que deve ser permanente."
Foi uma resposta e tanto.

Chuva de alicate

- Casa comigo um dia, nem que seja de brincadeira?
E então responde pra só eu ouvir:
- "não sei".
E antes que vá brincar na chuva,
me deixa saber do papel,
que cola entre os dentes, o riso.
Que vem de repente e me toma
com alicate, aquele a quem
pergunto do siso.

Me deixa brincar novamente
no quintal da frente.
Correr e me esconder
de repente: de você.
Me ensina como se pode
fazer da saudade seu toque,
mesmo que não tenha sido
forte pra ficar: Aqui.

E quando eu for,
me diga pra voltar.
Ou diga: Adeus.

Palavras Quebradas

Eu que sabia de cor os teus passos,
agora já não sei te encontrar.
Que andava perdido no abraço,
já não posso mais te abraçar

.Me diz que sábado faltou?
Que hora eu perdi pra te encontrar?
Fala pra mim se ainda tenho um lugar.
Diz se ainda posso voltar e ficar?

Eu que nunca soube o que dizer,
aprendi a ouvir os teus nãos.
Que nunca quis deixar você,
hoje só ando na contramão.

Me diz com que pés devo fugir?
Se me espera pra dormir?
Fala pra mim se ainda existe aquele tempo?
Diz se ainda devo fingir?

(Pra ele ler. E só ele entender)

Solo seco da fome

Eu sei que eu preciso correr sem lágrimas.
Percorrer solos secos, e morrer por mãos de minha própria terra.
Eu não consigo me lembrar que parte eu deixei de fazer. Nem quando decidi continuar lutando por quilômetros para poder espantar a sombra pálida de seu rosto, e salvá-la.
Nem tão grande, como deveria ser. Mas tão pequeno quanto se é.
Eu mal consigo respirar essa fome. E mesmo assim carrego o pedaço vivo que ficou dela, calando o seu nome dentro de mim pra poder ainda viver com o que sobrou de tanta tristeza.
E eu fico pra trás, sendo apenas mais um que morre.
Sendo apenas mais uma cobaia de minha própria fraqueza.
De meu próprio povo.
Se eu brigo, é por um pouco d'água.
E se eu choro, é por ter em mim o peso de tanto passado que eu não fiz parte.
Peso que nem mesmo tenho, se subo numa balança.
E é por falta de força, que ainda consigo sorrir quando caem do céu os alimentos que preciso. Não por acreditar em Deus, mas por depender da compaixão de poucos, e por ter que saber aguentar tantos outros roubando o meu coração.
Eu não sei se cada passo vale essa insistência. Mas, sem querer ou saber o por quê, continuo vivendo da miséria de minha língua. Sendo traído pela esperança. E pelo homem em quem tanto confiei, sem nem ao menos saber se tais olhos tinham um nome.
Mas eu corro.
Corro por ela ser a falta que me resta.